
Revés no STF: Justiça Italiana Aponta ‘Falta de Imparcialidade’ de Moraes ao Negar Extradição de Zambelli
A Corte de Cassação de Roma divulgou os motivos que levaram à rejeição do pedido brasileiro para extraditar a ex-deputada Carla Zambelli. O argumento central dos magistrados italianos questiona a dupla atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo.
A longa batalha jurídica envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo — e internacional — capítulo. Na noite desta quinta-feira (11), a Corte de Cassação de Roma, instância máxima da justiça italiana, tornou pública a fundamentação da sentença que barrou o pedido de extradição da ex-parlamentar para o Brasil.
A decisão original de soltura já havia sido proferida no final de maio, mas o documento divulgado agora detalha os motivos técnicos que levaram a Itália a negar a solicitação do governo brasileiro. O ponto nevrálgico da recusa europeia recai diretamente sobre a condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes.
O Argumento Italiano: Relator e Vítima no Mesmo Caso
De acordo com o entendimento dos magistrados em Roma, o pedido de extradição esbarrou em um obstáculo fundamental do direito processual: a falta de imparcialidade. Para a Justiça da Itália, o ministro Alexandre de Moraes acumulou funções que são, por natureza, incompatíveis dentro de uma mesma ação penal.
A Corte italiana destacou que Moraes atuou como relator do inquérito contra Zambelli no STF, conduzindo as investigações e decisões, enquanto figurava, simultaneamente, como a pessoa lesada (a vítima) por uma das condutas criminosas imputadas à ex-deputada.
No sistema jurídico italiano — e na interpretação dos tratados internacionais de cooperação —, a garantia de um julgamento conduzido por um magistrado isento é inegociável para que um processo de extradição seja validado. A sobreposição dos papéis de investigador, julgador e ofendido, segundo os juízes de Roma, fere esse princípio básico.
Impacto e Repercussões do Caso Zambelli
Após a anulação do pedido na Itália, Carla Zambelli comemorou a decisão ao lado de sua equipe de defesa, enquanto o cenário jurídico em Brasília absorve o impacto do documento expedido por Roma.
O caso reacende o debate sobre o escopo e os limites dos inquéritos conduzidos pelo STF e como essas ações são interpretadas por cortes internacionais quando o Brasil aciona mecanismos diplomáticos, como os tratados de extradição e os alertas vermelhos da Interpol.
A decisão da Corte de Cassação não analisa o mérito dos crimes dos quais Zambelli é acusada no Brasil, limitando-se a julgar se o processo atende aos requisitos formais exigidos pela Itália para enviar um cidadão (Zambelli possui cidadania italiana) para julgamento em outro país. Com a negativa fundamentada na figura do relator, o caso estabelece um precedente complexo para futuros pedidos de repatriação judicial conduzidos sob moldes similares.